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8.7.15

Alemão

Um filme tenso. Boas atuações. Apenas uma premissa burra que motiva toda a ação. Um filme humano para situações tão desumanas. Uma racionalidade torpe, quase doentia. Mentalidades rasas postas em situações limites. É a selva. O Governo Federal e outras forças da União invadem uma área da cidade que é controlada por grupos criminosos conhecidos. Cinco policiais das forças locais estão infiltrados entre os criminosos. Eles são descobertos pelo chefe do tráfico no mesmo dia em que o exército invade a comunidade. Eles conseguem se reunir num esconderijo e tornam-se refém de si mesmos, do crime e da lei.

9.4.15

O Candidato Honesto

Versão brasileira e menos inspirada do filme de Jim Carrey "O Mentiroso", sem dúvida. A avó à beira da morte pede a Deus que seu neto pare de mentir. Ele é candidato a deputado federal e está em vantagem há poucos dias da eleição. É uma comédia com poucos momentos engraçados e muito pastelão forçado. Padrão Globo de produção.

26.8.14

Vai Que Dá Certo

É uma comédia de situações engraçada mas não muito. Tem uma direção inconsistente com flutuações que interferem o andamento do filme em alguns momentos. O roteiro é bom e tem muitos textos realmente cômicos. A fotografia é regular e a trilha sonora não impressiona. É o tipo de filme que se você perder uma parte se torna desinteressante. Os personagens são estigmatizados e rasos. Um grupo de amigos de infância se reúne pra jogar futebol. A maioria fudido  apenas um bem sucedido. Um deles planeja roubar o dinheiro da empresa de transporte de valores em que trabalha. O amadorismo deles frustra o roubo e eles ficam devendo ao bandido que lhes alugaram as armas. Resolvem roubar rico amigo deputado. A confusão tá feita. Caixa dois, polícia corrupta, amizade em prova, senso de moral e justiça afloram, enfim... É uma boa comédia e termina com perspectiva de continuação.

25.7.14

O Cangaceiro


A direção é supervisionada por Carlos Coimbra diretor de dois clássicos do tema da década de 1960. É uma história de ficção com todas as referências possíveis do que era o sertão dos fins dos anos 1920. Reizado, bumba-meu-boi, ciranda, palhaços de circo, feirinhas, banda de coreto, xaxado, baião, poesia, etc. 
Atuações sofríveis. Sadismo violento e piadas fora de tempo. Frases de efeito sem grandes resultados, do tipo: 'Bala perdida não traz letreiro'; 'Chuva que muito troveja não cai'; 'Macaco que muito pula quer chumbo'; 'Cangaceiro sabe o dia que nasce mas não sabe o dia que morre"...
Situações e diálogos forçados e artificiais. E os sotaques irritam de tão forjados. 

É uma caricatura dos filmes anteriores. Originalidade passa longe deste filme. Tudo que presta aqui é arremedo do que se vê dois outros filmes de Carlos Coimbra. 

A opção estética do filme é um equívoco. Especialmente tendo Domiguinhos como cangaceiro cantando com playback a toda hora no acampamento. Mas ainda fica pior quando entra o jovem talentoso Alexandre Pires na trilha sonora.
A história se passa no interior de Pernambuco no início dos anos 1930. Galdino é um cangaceiro violento e sarcástico. Cobra uma 'paga' de vários fazendeiros. Suspeitando ter sido traído por um fazendeiro e o prefeito de uma pequena cidade, ele é seu bando invadem a cidade durante uma festa promovida pela prefeitura. Lá eles rendem as forças policiais, matam o prefeito e sequestram sua sobrinha para cobrar um resgate. Paralelamente, Maria, mulher de Galdino, arrasta a asa pra um dos subordinados dele e cria um clima tenso no bando. Ela está grávida do cara e o Galdino não sabe. O subordinado é Teodoro, um sujeito com cara de gaúcho e cheio de senso moral que fica tomando conta da refém. E é dizendo que não quer fazer mal a ela que ele consegue comê-lá e tirá-la escondida do cativeiro. O roteiro é ruim demais. Ainda botaram uma criança no meio do cangaço pra ser acobertada por Maria e ficar fazendo serviços de recado pro bando. E o menino só tá no enredo pra justificar a participação especial de dois atores famosos no início e no fim do filme. 
Existe também uma falta de respeito temporal que nem convêm comentar. Ainda pra fechar o filme, o tal Teodoro deixa a moça em proteção e enfrenta sozinho o bando de Galdino. Mas como é um filme Galdino faz um acordo de cavalheiro com o traidor o que permite que o garoto mate Galdino enquanto os cangaceiros matam Teodoro.

24.7.14

Lampião O Rei do Cangaço (1964)

Dirigido por Carlos Coimbra. Glória Menezes como Açucena. A trilha sonora orquestrada é um sofrimento pra mim. Nota-se um apuro exagerado na música e a música-tema de Lampião é explorada ao limite. É um filme tão parecido com o ficcional de 1961 (A Morte Comanda o Cangaço) que bem poderia fazer parte do projeto para uma trilogia. A diferença mais gritante é a qualidade da produção. O roteiro tem certas soluções que causam estranheza e possui alguns elementos audaciosamente cômicos. A cultura regional é mostrada de maneira incrívelmente variada e exibe um grande elenco de modalidades poéticas, crenças, festas, vaquejadas, cabarés, crendices, danças, ritos e músicas. O argumento é repleto de frases de efeito e citações dramáticas. Aqui a direção abusa dos clichés e a montagem tem falhas graves. Baseado em histórias e fatos verdadeiros expõe de modo simplório e raso o envolvimento do Governo com o advento do cangaço e a problemática Coluna Prestes com sua ideologia de justiça igualitária. O pai de um jovem fazendeiro é morto por capangas em Alagoas. Ele jura vingança e se torna conhecido no sertão pelo nome de Lampião. Para combater os rebeldes militares da Coluna Prestes o Governo arma o bando de Lampião até de metralhadoras, lhe dá patente militar e o envia a Pernambuco. Depois de haver anulado a Coluna Prestes, o Governo passa a tratar Lampião e seu bando como criminosos. Encurralado e com poucos homens Lampião parte pra Bahia onde encontra Maria Bonita.

23.7.14

A Morte Comanda o Cangaço (1961)

Dirigido por Carlos Coimbra. As cercanias rochosas e verdejantes do sertão de Quixadá (onde hoje existe uma pista de pouso para naves espaciais), interior do Ceará, serviram de locação para as filmagens. A beleza feminina é um fetiche imortal. Apesar de não protagonizar, as atrizes que fazem o elenco de apoio são encantadoras. A história é uma ficção baseada na realidade do sertão no ano de 1929. Silvério é um cangaceiro protegido por um coronel (como eram chamados os grandes fazendeiros do NE) que lhe fornece armas e munições em troca de certos favores como a cobrança e extorsão de dinheiro e gado dos pequenos agricultores. Um desses fazendeiros sobrevive a um ataque que deixou sua mãe morta e sua pequena propriedade em ruínas. Ele monta um grupo de homens desejosos de vingança e passam a caçar os cangaceiros. Fica uma espécie de cangaceiros do bem contra cangaceiros do mal enquanto a polícia e a população se ferra. O filme é muito rico em retratar as diversas manifestações culturais da caatinga, desde rituais religiosos (enterros, beatos, benzedeiras, fechamento de corpo, orações e hinos) até formas de divertimento e lazer (músicas, instrumentos, danças, roupas, indumentária, churrasco, vaquejada, comércio, etc.) Não dá pra exigir muito das atuações que são muitas vezes caricatas. Os clichés são óbvios e explícitos mas bem usados. Os textos tem seus bons momentos e o roteiro é bem resolvido. A fotografia não dá pra avaliar com precisão mas é bem equilibrada e usa bem os contraplanos e as nuances da iluminação natural. A trilha sonora é aquela orquestra típica e datada de filmes daquele período com a diferença que aqui ele dispõe de um grande leque de músicas regionais de sensível valor histórico. É verdadeiramente um faroeste brasileiro. Uma hora e quarenta de perseguição entre garranchos, sob sol escaldante e romance estereotipado em meio a tiro, maldade e sangue.

2.6.14

Crô

Engraçadíssimo porém com uma temática paralela seríssima. Um filme denúncia com toda a sutileza e sinceridade que o assunto merece. Muito divertido. Com uma trilha sonora impecável e os efeitos sonoros são uma personagem à parte. A direção, a fotografia, os argumentos, o roteiro, a produção, enfim, tudo está verdadeiramente incrível. Eu me surpreendido positivamente. Crô herdou a herança de sua patroa e agora quer se realizar em uma atividade outra que não a de mordomo. Depois de várias tentativas resolve procurar uma nova patroa para se dedicar. E uma série de comédias de situações se desenrolam com muita graça e dinâmica. Até que após uma maratona de entrevistas com socialites, emergentes e famosas ele se decide por uma megera dona de uma confecção que explora o trabalho escravo de imigrantes latinos. Um assunto delicado e atual da realidade paulistana. Por fim ele denuncia os donos da confecção, adota uma das crianças (escrava e órfã), monta sua própria confecção e legaliza todo mundo. Muito bom.

31.5.14

Se Puder Dirija

A idéia geral é boa e tem bons textos mas existe algo de muito errado. É um problema técnico, de dinâmica, de timming... A trilha sonora é boazinha e a fotografia não é ruim mas a edição é tosqueira total. Nem sei o que dizer da direção. Tem boas imagens mas as sequências são lentas, com planos longos demais e isso é chato, é entediante. Imagino que um bom trabalho de edição resolveria. O clímax foi mal trabalhado assim como muitos pontos de virada não foram realmente estimulantes e o final não convence ninguém. Um pai solteiro relapso tenta se reaproximar do filho. Ele trabalha como manobrista num estacionamento privativo. Ele esquece de buscar o filho como prometido e pega o carro de uma cliente emprestado então uma série de situações o impedem de chegar de volta com carro alheio. São muitas situações hilárias que perdem a força cômica mesmo contando com um elenco muito bom. Uma pena.

13.5.14

Iracema - A Transa Amazônica

"Do destino ninguém foge"
Frase do caminhão do Tião Brasil Grande (protagonista)

É um filme de Orlando Senna que denuncia em 1974 as mazelas sociais e econômicas que os estados do norte da Brasil ainda hoje padecem. Quarenta anos depois da realização deste filme a Rodovia Transamazônica ainda não foi concluída, a prostituição infantil ainda reina naquelas bandas, o roubo de terra ainda é uma realidade, o tráfico de madeira de lei ainda acontece, o trabalho escravo persiste, o roubo de gado continua... É um filme denúncia. Cenas aéreas e terrestres de desmatamentos e queimadas ilegais enquanto o INCRA e o Governo Federal tentam impor alguma ordem nos procedimentos comerciais. Iracema é uma adolescente de família ribeirinha que aos quinze anos começa a se prostituir. Na tradicional Festa do Sírio de Nazaré em Belém do Pará, ela conhece um caminhoneiro que a larga num cabaré qualquer de beira de estrada após passar uns dias com ela na boléia de seu caminhão pelas estradas do interior do Pará. Ela volta pro seu lugar de origem e é enganada por um tratorista que a abandona longe de casa. Uma conhecida tenta ensinar a ela o ofício da costura mas ela insiste 'no correr mundo', 'na vida sem rumo' (palavras dela) e volta pro cabaré. A trilha sonora é autêntica (com direito a Bartô Galeno e outras preciosidades) e a qualidade do som direto é impressionante para o padrões da época especialmente naquelas locações. Ele retrata os hábitos alimentares e culturais, os equipamentos de entretenimento disponíveis (feirinhas, circos, parque de diversões, procissões, bares e cabarés) de modo ultra realista. Vencedor de mais de uma dúzia de prêmios internacionais é um clássico na cinematografia nacional.


Ninguém sabe

19.4.14

Onde a Coruja Dorme

A trilha sonora já vale o filme, no entanto, o conteúdo é primoroso. Me pegou de surpresa. Com entrevistas e depoimentos muito bem articulados e tecidos de forma ímpar, o filme nos leva às nascentes do samba carioca descobertos por Bezerra da Silva. O motivos para as musicas, as regras de repercussão nas gravadoras, as politicagens, as relações com a polícia e as contravenções, os conceitos de 'malandro' e suas nuances, piadas, comédias e brincadeiras, etc. Tudo na linguagem carioca do morro, da favela mesmo. É um tratado etnográfico da música carioca.

31.12.13

Cine Holliúdy

Se era pra 'cearencizar' o título porque não usaram 'roliúde'? Teria ficado óbvio e evitaria erros como os que cometo sempre que tenho que escrever o título. Ambientado no interior cearense da década de 1970, retrata o empenho de um homem em montar uma sala de cinema contando apenas com o apoio incondicional de sua esposa, do seu filho pré-adolescente e sua força de vontade e perseverança. A história central se passa em Pacatuba (hoje região metropolitana de Fortaleza). O desafio é montar um cinema em plena expansão da televisão (até a década de 1980 era comum a população das pequenas cidades se reunirem nas praças para assistir a tv que a administração municipal dispunha). Muitos aspectos históricos interessantes são pincelados sem profundidade no decorrer da narrativa. A característica mais marcante do filme é o linguajar típico do interior do Ceará com suas girias e modos peculiares, tornando necessária as legendas em português. Dirigido por um cearense tenaz - cuja história de vida lembra a do protagonista - que faz um trabalho de amor ao cinema e às suas origens nativas. A dinâmica perde a força em alguns momentos, certas falas são colocadas fora de timming e alguns personagens não convencem, felizmente nada disso compromete a qualidade geral do filme. As atuações principais estão ótimas e a participação das crianças são bem realistas. A trilha sonora, com músicas de Márcio Greyck, é referência daquela década no Ceará e cria o clima perfeito pra história. O figurino foi bem pesquisado mas parece caricato. A fotografia ficou interessante e merecia mais atenção se levar em conta que as locações pelo sertão cearense são diversas e belas. É um filme que dá muito orgulho ao cearense; que revela, registra e resgata muitos aspectos da cultura local e enche de graça e recordações as pessoas que vivem e/ou viveram pelos sertões do Ceará. Divertido e curioso. 

11.11.13

Conversas com JH

O documentário "Conversa com JH" retrata bem os dilemas e dificuldades do biógrafo. No caso, o autor nos mostra suas complicadas negociações com o biografado vivo João Havelange. É tão tenso que é quase cômico.

8.11.13

Até que a Sbórnia nos Separe

Animação baseada na peça 'Tangos e Tragédias'. Estilo agradável com ótima direção. A narrativa é simples e os conflitos são poucos para a duração do filme. Tem bons momentos de comédia e muita mensagem indireta. Toda a história é uma metalinguagem crítica à condição social no Brasil. É fácil encontrar mais informações sobre este filme na Internet, ele possui site oficial e trailer no YouTube. A direção é de Otto Guerra, o mesmo de "Wood &  Stock".

17.10.13

Faroeste Caboclo

Bom, muito bom. Tecnicamente impecável. A vida trágica de um pobre coitado e da filha de um senador da República. É um drama violento e triste ocorrido na Capital do Brasil. João, nascido na cidade de Santo Cristo (interior baiano), tem seu pai morto na sua frente (quando ainda criança) por um policial motivado por uma intriga boba. Adolescente, vê sua mãe morrer à míngua em casa. Sai para vingar o pai e é preso numa penitenciária para menores. Quando solto vai para Brasília encontrar Pablo, seu primo, traficante numa cidade satélite de Brasília. Consegue emprego numa carpintaria e ajuda eventualmente seu primo com o tráfico. O Plano Piloto de Brasília é área exclusiva de um traficante conhecido e violento. Numa entrega frustrada de drogas na Asa Sul, João foge da polícia e se esconde no apartamento de uma linda, melancólica e maconheira filha de senador. Eles se envolvem e se apaixonam. Ela, estudante de arquitetura na UNB, ele, carpinteiro, negro e analfabeto. Claro que iria dar merda! E deu, muita! A história é muito bem contada com argumentos e roteiro primorosos. As atuações são fortes e João é feio pra porra! Confesso que senti-me incomodado em ver aquela linda, doce e meiga mocinha com João. Enfim, quem conhece a música sabe o que rola - só não espere ver platéia na hora do duelo como conta a música. A produção de seis milhões de dólares fez milagres e deixou o figurino impecável, as caracterizações verossímeis, a fotografia clara, a direção rítmica e trilha sonora transcendente.

15.9.13

Lisbela e o Prisioneiro

Assisti de novo e é um filme show de bola. A direção, a música, o texto. Tem algo que não encaixou bem. Não sei direito o que foi. Talvez outro ator pra fazer o papel do "cabo"... Ou um sotaque menos caricato na Lisbela... Não sei porque botam sulistas pra fazer papel de sertanejo, fica estranho pra quem conhece o verdadeiro sotaque. Tem tanta atriz nordestina de talento precisando de espaço... Mas gostei mesmo do filme. Muita comédia.

13.9.13

Macunaíma

Um filme de 1969 baseado em obra literária homônima de Mário de Andrade. Irritante. Eu fiquei impaciente, inquieto e irritadiço. Não, isso não me enterte. Não senti nada de bom com este filme. Pelo contrário, senti uma imensa perda de tempo. Numa tapera ou casa de palha uma mulher morena dá a luz a um negro adulto que fica branco depois de tomar banho numa fonte.  Seu nome é Macunaíma. Sua maior característica é a preguiça. Sua falta de caráter permite que ele se relacione sexualmente com qualquer mulher mesmo a do amigo ou do irmão. Gosta de dinheiro mas não é disposto a grandes sacrifícios por ele. Não se importa em ser sustentado por um mulher ou qualquer um. Depois da morte da mãe vai com os irmãos pra cidade grande. Se envolve apaixonadamente com uma rebelde militante armada que o ampara e sustenta em troca de sexo. Ela é morta e ele decide enfrentar um magnata. Por fim ele volta pra sua terra natal e é abandonado por seus irmãos por causa de sua preguiça. Sozinho e preguiçoso vai tomar banho numa cachoeira e encontra uma Iara (sereia de água doce devoradora de homens) e termina o filme. Por não ter lido o livro do qual deriva o filme grande parte do que foi exibido ficou nebuloso pra mim. A trilha sonora é chata e original. A qualidade sonora é péssima, mas é típica daquele momento cinematográfico brasileiro. A narrativa dá saltos estranhos, mas todo o filme é esdrúxulo. A fotografia é equilibrada mas longe de ser realmente boa. Enfim, é uma obra de uso didático.

4.9.13

Carandiru



É um senhor filme. A história é envolvente. Duas horas e meia de filme contando o dia-a-dia das personas no maior cárcere da América Latina. A maioria dos personagens são bem carismáticos, o que nos aproxima sentimentalmente. Não gostei da fotografia, com aquele tom amarelado, nem do som que deixa vários diálogos initeligíveis. Abujamra vez uma trilha melhor no "Bicho de 7 cabeças", mas merece o crédito, é um belo trabalho. O que surpreende é a atuação de Rodrigo Santoro, que tá mesmo pra inglês ver, ainda mais depois de ter aparecido no "Panteras detonando". É um filme pra matar a curiosidade de qualquer um que soube do ocorrido, uma lição pras autoridades e pra bandidagem. O problema da aids é enfático, e percorre toda a narrativa. A noção de moral e justiça no presídio é muito bem abordada. Sem dúvida é um filme completo, mas não é entretenimento, tá mais pra lição de moral ou relato histórico. A direção é muito boa, mas é bem conservadora. Oscar de filme estrangeiro, acho difícil, mas os critérios hollywoodianos sempre surpreendem. "Cidade de Deus" é superior em tudo, direção, roteiro, fotografia, atuação e trilha. Dráuzio Varela saiu no lucro, pois é muito bem interpretado e o ator é muito mais bonito que ele. hehehe. Cinema é ótimo pra essas coisas. Ailton Graça no papel de "Majestade" é uma figura! O massacre é realmente assutador, pena que só ocorre nos últimos 15 minutos.

Saiba mais:
Site Oficial

23.8.13

Uma História de Amor e Fúria

Brasil. Rio de Janeiro. Fins do século XXI. Um jovem apaixonado está encurralado no alto de um edifício do futuro. Suas lembranças remontam a 600 anos, quando o Brasil foi descoberto pelos europeus. E resolve nos contar sobre o que viveu desde então. São quatro momentos históricos da civilização brasileira. A criação do Rio de Janeiro, a Guerra dos Balaios, a Ditadura de 64 e a nova ordem miliciana carioca do futuro. Fico imaginando quanto cada empresa que aparece nos créditos iniciais contribuíram... Se observar que os apoiadores deste projeto são empresas mega-orçamentárias é uma pena que um projeto de 2005 só tenha sido concretizado em 2012. A animação é um espetáculo visual. É criativa e usa as mais inventivas e variadas técnicas no decorrer do filme. Original, singular, ímpar. O filme têm elementos que contrariam a história oficial e fomentam uma nova versão dos fatos. Essa liberdade é empolgante. Uma frase recorrente e inquestionável que abre, fecha e permeia o filme: "Não há futuro para quem desconhece seu passado". E o passado sempre pode ser reinventado. Não precisa ser verdadeiro basta ser sincero. A direção tem um ritmo estranho, e de certo modo, lento. A narrativa é simples e basicamente cliché. O protagonista narra em primeira pessoa a história de suas lembranças de 600 anos distribuídas em várias vidas no decorrer do tempo. O ineditismo do roteiro sugere que o vejamos mais vezes. Existem muitos pormenores que passam desapercebidos. A animação tem menos de 80 minutos e mesmo assim tem momentos que ficamos a nos perguntar: e aí? É um problema de dinâmica de ação. Como se a direção tivesse sempre com o pé no freio. Artisticamente é fabuloso! Os cenários, os traços, as paisagens, as panorâmicas, os travellings, as cores, enfim, é um filme que merece reconhecimento por seu primor artístico. São quatro histórias independentes ligadas por um único espírito que entre uma existência humana e outra a assume a forma de uma pássaro preto e vermelho (flamengo?). Tupinambás, Tupiniquins, portugueses, franceses, nascimento da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, tomada de Caxias do Maranhão, a Balaiada, os quilombolas, a criação do exército brasileiro, a luta armada e os assaltos ideológicos dos tempos da ditadura militar no Brasil, o aparecimento da Falange Vermelha (crime organizado no Rio de Janeiro), a perspectiva de um futuro refém da segurança privada, das milícias armadas organizadas e onipresentes, a constatação de que o poder sempre será opressor (ou pela lei ou pela força)... O filme é tenso mas tem breves momentos de leveza, uma piadinha aqui e ali. Um certa sensualidade percorre os corpos nus que desfilam naturalmente entre os índios, belos contornos. Não gostei da dublagem do carismático Selton Melo, para esse papel precisaria de uma voz menos mansa que a dele. Wagner Moura teria mais a ver eu imagino.

17.8.13

Uma Noite em 67

Um documentário com depoimentos e imagens III Festival de Música Popular da TV Record no dia 21 de outubro de 1967 de grande vulto na sociedade brasileira pós revolução militar. Houve uma noite específica em que todas as músicas se tornaram grandes sucessos atemporais e que reuniu músicos e intérpretes que são ícones da música brasileira ainda hoje. Chico Buarque, Caetano Veloso, Roberto Carlos, Gilberto Gil estão entre os nomes dessa noite. É basicamente um filme nostálgico, feito para fixar no tempo lembranças de um momento único do showbizz nacional e em pleno anos de chumbo da ditadura. Com ótimas sequências de imagens de arquivo e entrevistas curiosas com quem estava nos bastidores e no front daquele evento. Agradável e instrutivo. Ah, fiquei achando que "Ponteio" só ganhou o Festival de Música Popular por causa da atitude de Sérgio Ricardo. Ele, num ímpeto rock'n roll, quebrou sua viola no palco e a arremessou no garboso público, curiosamente, o refrão da música campeã de Edu Lobo dizia: "Quem me dera agora eu tivesse uma viola pra tocar"... 
Saiba mais:

13.8.13

Cinema, Aspirina e Urubus

Seis minutos iniciais são apenas um cara dirigindo um caminhão no sol quente do agreste nordestino em estradas viscinais de 1942. No caminhão, o mais novo milagre da farmacologia moderna: a aspirina. Para fazer as pessoas comprarem uma das mais hipnóticas mídias já criadas: o cinema. A trilha sonora é pura nostalgia. É incrível perceber que as locações mudaram tão pouco ainda hoje em dia. Percorrendo o sertão, o alemão vendedor de aspirina, vai dando carona a quem pede e conhecendo suas histórias e ambições. Um dos seus caroneiros torna-se seu ajudante e companheiro de viagem. Então quando finalmente ele fecha um bom negócio o Brasil declara guerra à Alemanha e interdita as operações de todas empresas alemãs. O alemão deixa tudo no sertão e parte para a Amazônia. A fotografia é estourada no limite do que é permitido pela luz da caatinga. O ritmo do filme é  lento mas nos envolve gradualmente. O destaque é o resgate musical, no mais é meio sacal mas é tecnicamente muito equilibrado.