7.1.14

Kick-Ass

Violento e engraçado. Ótimas sequências de ação. Coreografia de lutas incríveis. Trilha sonora empolgante. Muitas, muitas frases de efeito. É um filme violento com cores felizes e vibrantes. Subjetivamente, trata de conflitos de gerações e de sociabilidade juvenil. Um garoto comum cria um personagem baseado em histórias em quadrinhos e assume a identidade de um super-herói. Tudo muito caricato. Paralelamente um ex-policial treina sua filha pré-adolescente em artes marciais e no uso de armas diversas. Pai e filha usando disfarces começam a atrapalhar os negócios sujos de um poderoso gangster da cidade. Entre trapalhadas, tiros e sangue toda a cidade se envolve nas confusões protagonizadas pelo herói fajuto através de vídeos postados na Internet. O filho adolescente do gangster se assume também um herói e através de e-mails se próxima de Kick-Ass para conquistar  sua confiança e conseguir pegar os verdadeiros responsáveis pelos prejuízos nos negócios do pai: Big Daddy e Hit Girl. A direção ficou muito ritmada e ligeira com boas referências à dinâmica dos gibis de  quadrinhos e a games de console e de computador. A fotografia também é ótima mas não se aproxima dos esplendores das graffic novels. O figurino é cafona e de gosto duvidoso mas é tudo bem realista. Divertido.

2.1.14

Código 46

É um filme de ficção dramático que trata mais de questões éticas sobre o futuro controle populacional e de natalidade através de sistemas baseados em combinação de códigos genéticos. O código 46 refere-se a proibição que impede o relacionamento entre duas pessoas com códigos genéticos semelhantes a 25% ou mais. Tecnologias viróticas para incrementar habilidades são comuns e comercializadas com certas restrições. Um investigador privado deve investigar fraudes numa espécie sistema de seguro chamado Esfinge. A trilha sonora é intimista e quando o investigador chega a figura suspeita, funcionária da Esfinge, ele se apaixona por ela e se compromete mesmo sendo casado e com filhos.

1.1.14

Invictus

Trata de como o Mandela presidente usou um esporte nacional para unir uma nação. O rugby era um esporte excludente e racista, amado pelos afrikaners e ojerizado pelos negros sul-africanos. Com inteligência e extrema habilidade política, Mandela transformou os aspectos negativos e agregou negros e brancos em torno da fé em um time num campeonato mundial. Dirigido por Clint Eastwood e encenado com atores de grande carisma. É um filme surpreendente. A narrativa é um pouco monótona porém envolvente. A fotografia é ótima, as sequências e edição ficaram muito bem feitas. A direção é perfeitamente técnica. A música é original e equilibrada. É uma aula de história, liderança e fé.

31.12.13

Cine Holliúdy

Se era pra 'cearencizar' o título porque não usaram 'roliúde'? Teria ficado óbvio e evitaria erros como os que cometo sempre que tenho que escrever o título. Ambientado no interior cearense da década de 1970, retrata o empenho de um homem em montar uma sala de cinema contando apenas com o apoio incondicional de sua esposa, do seu filho pré-adolescente e sua força de vontade e perseverança. A história central se passa em Pacatuba (hoje região metropolitana de Fortaleza). O desafio é montar um cinema em plena expansão da televisão (até a década de 1980 era comum a população das pequenas cidades se reunirem nas praças para assistir a tv que a administração municipal dispunha). Muitos aspectos históricos interessantes são pincelados sem profundidade no decorrer da narrativa. A característica mais marcante do filme é o linguajar típico do interior do Ceará com suas girias e modos peculiares, tornando necessária as legendas em português. Dirigido por um cearense tenaz - cuja história de vida lembra a do protagonista - que faz um trabalho de amor ao cinema e às suas origens nativas. A dinâmica perde a força em alguns momentos, certas falas são colocadas fora de timming e alguns personagens não convencem, felizmente nada disso compromete a qualidade geral do filme. As atuações principais estão ótimas e a participação das crianças são bem realistas. A trilha sonora, com músicas de Márcio Greyck, é referência daquela década no Ceará e cria o clima perfeito pra história. O figurino foi bem pesquisado mas parece caricato. A fotografia ficou interessante e merecia mais atenção se levar em conta que as locações pelo sertão cearense são diversas e belas. É um filme que dá muito orgulho ao cearense; que revela, registra e resgata muitos aspectos da cultura local e enche de graça e recordações as pessoas que vivem e/ou viveram pelos sertões do Ceará. Divertido e curioso. 

30.12.13

Universidade Monstros

A mensagem subliminar é que ninguém precisa de universidade pra se dar bem na vida. Muito divertido. Não tão bom quanto o primeiro mas igualmente criativo. Engraçado como a reitora apresenta características fenotípicas semelhantes aos reitores fundadores da UFC e da USP. Seriam membros de uma espécie de vida comum? Mesmo sem as características típicas de um monstro assustador, Wachalsky quer trabalhar na fábrica de sustos e estuda como um louco pra isso. Sullivan é filho de um famoso assustador e, apesar de sua indisciplina e excesso de autoconfiança, reúne as principais características externas a um típico assustador. Expulsos do curso de sustos, aceitam o desafio de vencer um campeonato para retornar ao curso. Para isso precisam tornar-se membros de uma fraternidade e a única que os aceita é aquela taxada de perdedores e excêntricos excluídos. O filme revela muito aspectos da cultura acadêmica americana e de forma leve e subjetiva faz críticas bem pontuadas. Finalmente, mesmo sendo expulsos da universidade conseguem um emprego na Monstros S. A.

29.12.13

Teletransporte

Narrado em primeira pessoa, o filme fala de um cara que evita dormir porque sempre que dorme acorda em lugares estranhos, distantes e nu. A segunda metade se passa toda num manicômio e apresenta situações e questões típicas da drogadição - tudo em metalinguagem. Tem uma direção nervosa e argumentos angustiantes. Trilha sonora deprimente. Fotografia miserável. Tem umas animações toscas e efeitos visuais fracos. O protagonista se comporta como um drogado louco,violento e pouco carismático. Consegue a ajuda de uma prostituta em Nova York que o acompanha em busca de respostas e cura. Pra evitar cair no sono ele toma diversos tipos de remédios inclusive injetáveis. É um filme extremamente desagradável. Tem textos grosseiros, vagos e banais. Sofrível. Irritante.

13.11.13

Grandes Dias do Século XX - Episódio 5

Segunda Guerra Mundial - Partes 1 e 2
As imagens são narradas com grande precisão e muitas informações mas o que mais chama a atenção é a coragem dos filmografistas. Muitas sequências apresentam explosões e tiros tão próximas que dá pra duvidar se aqueles cinegrafistas sobreviveram. As imagens são raras e de ângulos impressionantes. A edição mistura cenas de documentários de ficção e jornalísticas. O relato começa com as ambições audaciosas de Hitler e Mussolini e termina antes da tomada da Normandia. São quase duas horas de detalhes preciosos dos movimentos militares do Eixo e da Aliança. Rico documento.

12.11.13

Oz - Mágico e Poderoso

Conta como o mágico de Oz chegou a Cidade das Esmeraldas e tornou-se o que é (como mostrado no Alice no País das Maravilhas). É legalzinho. Oz é o Duende Macabro do filme do Homem-Aranha, pouco carisma... Oscar é um mágico canastrão em Kansas e quando fugia de um credor no circo onde trabalhava é atingido por um tornado e... Bum! País das Maravilhas, Cidade de Oz! Bruxas boas, bruxas más, etc, etc.

11.11.13

Conversas com JH

O documentário "Conversa com JH" retrata bem os dilemas e dificuldades do biógrafo. No caso, o autor nos mostra suas complicadas negociações com o biografado vivo João Havelange. É tão tenso que é quase cômico.

8.11.13

Até que a Sbórnia nos Separe

Animação baseada na peça 'Tangos e Tragédias'. Estilo agradável com ótima direção. A narrativa é simples e os conflitos são poucos para a duração do filme. Tem bons momentos de comédia e muita mensagem indireta. Toda a história é uma metalinguagem crítica à condição social no Brasil. É fácil encontrar mais informações sobre este filme na Internet, ele possui site oficial e trailer no YouTube. A direção é de Otto Guerra, o mesmo de "Wood &  Stock".

6.11.13

Truque de Mestre (Now You See Me)

De novo aqueles invencionistas de títulos destroem mais um filme. Não me conformo com tamanho desrespeito. Espetaculoso. É um filme frágil. O roteiro brinca com nossa imaginação e nos surpreende com o óbvio. Repleto de lendas urbanas e mitos modernos do universo do ilusionismo, nos vemos em meio a mágicas, truques e culturas remotas inextrincáveis. A fotografia é esplendorosa, assim como os efeitos visuais, sempre buscando o espanto ou o encantamento. Jogos de luzes e efeitos luminosos dançam em gigantes espaços internos e ao ar livre sobre edifícios e multidões. A trilha sonora também busca o lugar do impressionante mas, a bem da verdade, não causa esse efeito. Um grupo de mágicos de rua são reunidos por um misterioso personagem com a promessa de permitir-lhes a entrada no ancestral,mitológico, secreto e seleto "O Olho". Em três atos eles roubam centenas de milhões de dólares diante de milhares de pessoas e pela TV diante de milhões. Sabe aquele lance da "emenda no soneto"? Pois é, as explicações de como foram feitas as mágicas são forçadas e não convencem. E se eu contasse o final destruiria o filme. Que chato, né?

5.11.13

O Senhor dos Mares (Nova Zembla)

Baseado em um diário verdadeiro escrito por um dos tripulantes. Mais uma vez aqueles malucos de alguma associação de cinema brasileira colocam um título em português que nada tem a ver com o filme. Eu acho uma afronta o que fazem conosco. Deturpar o nome de um filme sob qualquer pretexto é uma completa falta de respeito com os realizadores e com o público. Aposentem esses caras por favor. Em 1596 o Império Espanhol dominava os mares e boa parte da Europa. A Holanda repudiava o catolicismo e promovia a República (sério!?) . Para chegar aos tesouros prometidos do Oriente era preciso encontrar um caminho que não cruzasse com os espanhóis. Então, após duas tentativas frustradas decididamente tentar chegar às Índias Orientais pelo Pólo Norte uma terceira vez. A trama central é o romance de um pobre e jovem escriba e a decotada, linda, loira, sensual e proibida filha do seu chefe (figura importante de Amsterdã). Para desposá-la ele pede para seguir com os marinheiros na perigosa viagem com a promessa de que voltando rico poderá finalmente tomá-la como esposa. A viagem segue sem problemas, além das intrigas de convivência, até chegarem a Nova Zembla (ilha russa local do maior teste nuclear já realizado: 50 megatons) quando tem início o inverno e o mar congela sob o navio. Durante o inverno o Sol se põe por seis meses. Eles usam a madeira do navio para construir um abrigo. Um a um vão morrendo os tripulantes pelo frio ou por ursos. A música é semi intimista e meio contemplativa. A fotografia é legal mas nem tanto. O roteiro é cliché total. A direção é lenta mas se mantém a mesma e passa bem o recado. O final é uma absurdidade sem fim. O cara conseguiu destruir o filme todo com uma das últimas sequências. O que foi aquilo?

4.11.13

Adeus Minha Rainha

Os bastidores da corte francesa em Versalhes sempre é assunto curioso, especialmente quando se trata dos dias da queda da monarquia na França. Em filmes com esta temática o que se espera é a fidedignidade do luxo, costumes e indumentárias que só a realeza era capaz. Então neste filme passeamos por todo o Castelo de Versalhes, sede do poder real na França de Luiz XVI. A protagonista é a leitora pessoal da bela e concupiscente Rainha - conhecida por seus saraus, bailes e festas no palácio Trianon - uma talentosa e dedicada órfã, que nós acompanhamos durante os três ou quatro dias desde a Queda da Bastilha até a prisão do rei. A direção é magnífica, a fotografia insofismável, a trilha sonora discreta, o figurino invejável, a ambientação primorosa, os textos bem realistas, no entanto, o roteiro me pareceu acabar antes do fim. Não vemos a captura da rainha, a prisão do rei é apenas sugerida e quem esperava ver pessoas guilhotinadas ficará na mão. O ponto de vista é um mergulho no cotidiano de uma serva pessoal da rainha onde vemos suas relações, atitudes e comportamentos das pessoas que cercavam, inflavam e estimulavam um estilo de vida condenável e excludente.

1.11.13

O Cavaleiro Solitário

O tal cavaleiro solitário passa a história toda acompanhado. Os efeitos visuais dão ao filme um aspecto peculiar. A computação gráfica é onipresente e nada disfarçada, pelo contrário, parece até uma proposta estética. O figurino e as locações são perfeitamente caracterizados. O humor é agradável e leve. Um advogado idealista e índio amalucado. Toda exuberância natural do Texas é lindamente fotografada. Sequências de ação mirabolantes. O roteiro é óbvio mas não decepciona. Muito bem contextualizado. A história se passa poucos anos depois do fim da Guerra Civil Americana e retrata de forma icônica diversos elementos das origens culturais e do passado histórico do EUA. Os conflitos indígenas, a corrida por metais preciosos, o progresso tecnológico (ferrovias, relógios, câmeras fotográficas, metralhadoras, etc.), migração chinesa e outras coisas. Tudo contado de maneira - superficial e - divertida. Tem muitos momentos engraçados mesmo. Boas sequências de ação, boas piadas, boas paisagens, boa direção e relativamente violento para os padrões Disney. Particularmente eu tive muitos lapsos de memória recursivos por causa da música e dos símbolos (estrela dos Texas Rangers, a indumentária country, etc.) que remontam a uma infância que julgava esquecida, minha primeira infância. Adorei este filme. Carismático, divertido, instrutivo, instigante e tecnicamente impecável.