4.6.15

Colateral

A trilha sonora é do caralho. A dinâmica é cansativa e a narrativa não alcança o envolvimento esperado. A história é legal mas faltou 'alma' neste filme. Tem vias sequências. Tem fluidez nas transições de cena. O ator do papel do taxista não me parece autêntico. Não me conheceu nem um momento. Me pareceu deslocado, fora do lugar. A cada aparição eu o estranhava e sabia que aquilo era um ator fazendo um filme tentando interpretar uma personagem. O filme tem uma premissa desagradável. O taxista é poupado pelo assassino profissional e ainda assim ele não hesita em atirar no assassino na primeira chance. Merchandising violento do V3 da Motorola. A direção é inconsistente. Trilha sonora metida a intimista e relativamente original. O título nada tem a ver com a história ou com nada. Remete remotamente ao efeito colateral de ações cotidianas mas apenas remotamente. É um filme frio e pouco envolvente. Todos os personagens nos são frios e

28.5.15

9

Animação futurista pós apocalíptica. Pequenas criaturas maquínicas animadas por espíritos transmutados são os poucos sobreviventes de uma guerra final entre homens e máquinas. Ciência e misticismo se misturam. Uma história repleta de humanidade e esperança. Com direção vibrante e boa narrativa. O cientista responsável pela arma definidora da guerra final usa o artifício da "vida transmutada" (conhecimento místico milenar) e divide sua alma em nove facetas cada uma animando um pequeno boneco robô humanóide feito de retalhos e partes metálicas. Acidentalmente eles ativam a máquina de criar máquinas (e acumular almas) e vêem seus amigos morrendo um a um. Até que consigam desligar a máquina do mal e libertar seus amigos. O roteiro não explica bem muita coisa e ficam muitas dúvidas no ar. A mensagem geral é boa e reflexiva mas a história em si é inconsistente. É uma ótima animação com boas sequências dramáticas e de ação.

21.5.15

A Fita Branca

Alemanha rural, 1913. Uma pequena vila é acometida de acidentes misteriosos. Crianças são espancadas em nome dos pecados dos pais. A comunidade é pacata mas de religião severa e educação rígida. As mulheres são submissas e castas. Os homens sérios e com forte sentimento de honra. É narrado pelo professor que conta sua própria trajetória enquanto exibe o cotidiano de algumas famílias da vila. Mesmo com o envolvimento da polícia os crimes não são revelados. Antes que os mistérios sejam resolvidos começa a I Guerra Mundial. Toda a rotina é interrompida e o filme acaba. A direção é lenta e imersiva. Longos takes causam certa sensação voyer. A fotografia é em preto e branco com forte teor 'noar'. Trilha sonora, inexiste. Tão emocionante quanto este texto.

14.5.15

Transformers 4 - A Era da Extinção

Valores duvidosos. Motivações complicadas. Falta absoluta de qualquer verossimilhança. Narrativa frágil e complicada. Completa ausência de coerência. Direção confusa e poluída. Filme longo. Argumentos óbvios. Falta de respeito à continuidade de tempo e de espaço. Piadas sem timing. Explicações vagas. Justificativas vazias. Muito merchandising. O filme vale pela qualidade do áudio e dos efeitos visuais. Pela fotografia magnífica. Pelos ângulos e movimentos de câmera incomuns. São duas horas e meia de ação e espetáculos megalomaníacos. Chicago. Alguma cidade chinesa. Destruição. Explosão. Tiros, bombas e armas dos mais variados tipos e tamanhos. Nenhum dos personagens humanos dos filmes anteriores. O que mais me incomoda é como os alienígenas se referem aos humanos, como uma massa de indivíduos totalmente desprovidos de identidade, personalidade ou individualidade, especialmente o Optimus Prime que fala com cada pessoa como se pudesse responder pelas ações de toda humanidade.

7.5.15

Team America Detonando o Mundo - World Police

2004. Dos mesmos criadores de South Park. Animação feita com marionetes repleto de efeitos especiais elaboradamente toscos. Humor ácido e sarcástico. Cheio de clichês estigmatizados e estereótipadas referências de filmes famosos. Uma sátira completa à cultura pop americana destilada na trilha sonora, na narrativa e nas personagens. O ditador norte-coreano controla os terroristas muçulmanos e planeja um ataque mundial para transformar todo o planeta em um país de terceiro mundo. Sediados no patriótico Monte Richmore, a equipe de agentes de elite dos EUA contam com o melhor ator da Broadway para deter este desastre terrorista. Com sequências antológicas, argumentos grosseiros, diálogos de baixo calão, ações absurdas e fatos completamente non-sense. É divertido, crítico e reflexivo.

30.4.15

Sabotagem

Um clássico do enlatado americano. Direção inconsistente e vacilante. Fotografia abaixo da média. Trilha sonora imperceptível. Roteiro tosco. Diálogos non sense. Humor fora de timming. Enfim, tirando a produção nada presta neste filme. É uma ofensa a qualquer lapso de inteligência. Nem a perseguição de carros é verossímil. As motivações de todas as personagens são esdrúxulas. O desenvolvimento da trama é forçado e cheio dos piores clichês. O desfecho é o maior de todos os absurdos - além de inteiramente óbvio. O Cuba Jr. tá fodido com o seu empresário. Como é que o cara se nega a ser coadjuvante nos filmes da Marvel para ser num filme B deste? O papel dele é ínfimo aqui apesar de ter alguma importância nas sequências finais. Não entendi a proposta. Era uma homenagem aos "filmes brucutus" anos 1980 ou uma vitrine para vendas de armamentos? O chefe de uma equipe Federal de combate ao narcotráfico tem sua esposa e filho assassinados por um cartel de drogas mexicano. Meses depois, ele é sua equipe roubam 5% de 200 milhões de dólares numa operação contra o tráfico. Sem necessidade, eles tocam fogo em 190 milhões e passam seis meses sendo investigados pela própria polícia por causa de 10 milhões. (Dá licença! Como assim? Os caras torraram 190 à toa e vão ser questionados por causa de 10? Se tocaram fogo no dinheiro como dariam falta desse valor?) O dinheiro roubado sumiu e a desconfiança toma conta da equipe. Quando são reintegrados, eles começam a morrer um a um. Uma detetive da polícia começa a investigar os crimes, mas não descobre nada por si. Tudo que descobre é porque acaba sendo usada como uma confidente dos membros da equipe. [SPOILER] Por fim, existia um traidor no grupo (Dâ...). Vai piorar. Quando você souber o que o cara fez com o dinheiro roubado depois de tudo que aconteceu (fazer todo mundo passar seis meses num inferno de investigações, causar a morte de todos da equipe e de muitos inocentes), você vai concordar comigo. Ele simplesmente viajou sozinho ao México, colocou todo dinheiro sobre a mesa de um policial, descobriu o endereço do cara que matou esposa e filho e, sozinho, vai lá e mata geral. Para um fim digno e triunfal, o protagonista acende um charuto num ambiente de luz difusa e esfumaçado. Taqeopareu! Se o cara conseguiu fazer sozinho, por que não foi lá com a equipe? Se fuder, que filme ruim do caralho!

23.4.15

Shutter Island - Ilha do Medo

A direção é estranha. Movimentos de câmera atípicos. Cortes bruscos. Diálogos truncados. Trilha sonora tensa. Fotografia interessante com enquadramentos elaborados. Efeitos visuais interessantes. Dois agentes federais são enviados para uma ilha onde uma mulher fugiu misteriosamente de um manicômio de segurança máxima. Nada é o que parece. Surpreenda-se.

16.4.15

A Outra (The Other Boleyn Girl)

2008. Columbia, Universal e BBC chamaram Eric Bana, Scarlett Johansson e Natalie Portman para contar a história de Henrique VIII, pai de Elizabeth I, em sua louca busca por um filho varão. Casado com a Rainha Catarina e devoto da Igreja católica apostólica romana foi manipulado por um de seus conselheiros a envolver-se com suas sobrinhas, Ana e Maria. Encantado pela beleza das duas leva-as a corte, tem um filho com Maria, apaixona-se por Ana, anula seu casamento com Catarina, rompe o relacionamento com a Igreja Católica, torna Ana a nova rainha, tem uma filha com ela. Acusada de incesto, Ana e seu irmão são condenados e decapitados. Toda família do conselheiro e seus descendentes são mortos por ordem do rei. Maria cria seu filho no campo onde vai viver o resto da vida. A trilha sonora é clássica e intimista, a fotografia tem ares iluministas e capricha nos contrates de luz e sombra. A direção é fluida e conservadora. A produção é como se supõe: impecável.

9.4.15

O Candidato Honesto

Versão brasileira e menos inspirada do filme de Jim Carrey "O Mentiroso", sem dúvida. A avó à beira da morte pede a Deus que seu neto pare de mentir. Ele é candidato a deputado federal e está em vantagem há poucos dias da eleição. É uma comédia com poucos momentos engraçados e muito pastelão forçado. Padrão Globo de produção.

2.4.15

Hugh Laurie - Down by the river

2011. O ator Hugh Laurie (do seriado 'House') aceita o desafio de seguir pela estrada até as origens do Blues em Nova Orleans. Conversando com a câmera em primeira pessoa, ele desvenda parte da história dos ícones da música negra americana. Visita gravadoras, rodas de violão, lojas de discos e igrejas. Entrevista, canta e grava com homens e mulheres do blues enquanto revive e relembra músicas que tornaram o rio Mississipi o lugar sagrado da música afro-americana. Em menos de uma hora somos apresentados a uma miríade de ritmos, cantos e instrumentos que penetram a alma e nos aproxima de uma das mais belas artes humanas.

26.3.15

Tudo por um sonho - Chasing Mavericks

Um filme comovente e instigante. Uma homenagem ao surfista Jay Moriarity, que morreu afogado nas ilhas Maldivas aos 22 anos. De família modesta e apaixonado pelo surf. Jay pede a seu vizinho que o ensine a surfar as Mavericks (ondas gigantes). Com dedicação e disciplina ele segue todas as orientações do seu tutor enquanto divide o tempo entre a escolha é o trabalho. As mavericks ocorrem em um período específico do ano e muitos acidentes costumam acontecer. A estreia de Jay é nervosa mas um sucesso. Isso o projeta a uma carreira internacional que é interrompida pouco tempo depois num acidente banal durante um mergulho nas ilhas Maldivas. A fotografia é mediana e a direção não é incrível. A narrativa é simples e objetiva mas repleta de sentimento. É uma homenagem tocante ao espírito do surf e especialmente ao que Jay representa.

19.3.15

Contratadas para matar (les femmes de l'ombre / female agents)

2008. Para garantir a operação que dará origem ao "Dia D" na Segunda Guerra Mundial, um grupo de mulheres é recrutado para resgatar um geólogo aprisionado pelo exército nazista quando fazia estudos topográficos na Normandia. A operação secreta e arriscada é descoberta por um oficial nazista que, sem provas, não consegue apoio da direção do partido. É um filme tenso, cheio de heroísmo, coragem e ousadia. A trama é bem articulada e é de prender o fôlego. A direção é boa e conduz a história de forma convicente. A fotografia não é o ponto forte mas não decepciona. A trilha sonora é original e compõe bem todo o filme. O roteiro é, sem dúvida, o melhor deste filme que destrincha em seus argumentos toda a tensão e importância de cada atitude das personagens. Baseado em fatos reais.

12.3.15

Invencível

2001. A história é válida e positiva mas o roteiro tem erros crassos. A trilha sonora é original, tem fotografia de época, produção cuidadosa e direção comum. Na Polônia de fins da década de 1930, um jovem ferreiro judeu se destaca por seu tamanho e força. É convidado a ir à Berlim para se apresentar num espetáculo de mágica e misticismo. Um charlatão o explora como pode enquanto mantém uma linda cantora como escrava sexual. O antisemitismo está em ascensão na Alemanha e ele surpreendente a todos por ser judeu e mais forte que qualquer ariano.  Seu espetáculo, assim como o do seu chefe charlatão, atingem grande sucesso e atrai altos membros do governo nazista. Sua fé e bom senso o guiam e ele desmascara seu chefe durante uma apresentação lotada. Ele volta pra casa com a esperança de ser ouvido pelas pessoas quanto a guerra contra os judeus que se prenuncia na Alemanha. Numa brincadeira boba ele se fere com um prego enferrujado. O descuido com a ferida o faz amputar a perna. É o relato da aventura de um homem humilde e extraordinário. Comovente.

5.3.15

Mansfield Park

1999. A fotografia é esplendorosa. A trilha sonora magnífica. A direção é criativa e envolvente. Uma criança é dada por sua mãe para ser criada por uma família abastada. Estamos na Inglaterra em 1806. O chefe da família é um aristocrata que negocia escravos mas este é um assunto velado na casa, a escravidão foi proibida na Inglaterra. Mansfield Park é o nome da luxuosa propriedade onde vivem o casal, alguns empregados, quatro filhos e a jovem novata. Uma trama complicada é montada para casar os filhos. Jogos, festas, acordos e cerimônias. É um roteiro bem completo em suas nuances, desde as falas até as características das personagens. Com textos e argumentos agradáveis e verossímeis quanto ao comportamento, atitudes e valores da época.