31.5.13

A Viagem

É praticamente uma evangelização. Conceitos de Carma, de Darma, plantar, colher, merecer, desejar, enfim... O mais incrível é a manutenção do alto nível de instigação e curiosidade durante quase três horas de exibição. Foram duas equipes de direção em seis histórias com os mesmos atores vivendo personagens distintas. É um filme místico, repleto de reflexões filosóficas, existenciais, transcendentais... E fica mais compreensível o porquê de tanta explicação paradoxal quando sabemos que um dos irmãos Wakolsky fez a cirurgia de mudança de sexo e virou mulher. Então todas as narrativas são contadas de maneira fluida, rítmica e entrecortadas, numa mescla de montagem linear apesar de cada história se passar em épocas e lugares diferentes. É um filme estranho. Com trilha sonora intimista, com textos cheios de máximas irrefutáveis,  fotografia complexa e absurdamente diversificada. A direção é cadenciada com cortes controlados e sequências elaboradas plano a plano. Não acho possível captar muitos elementos do filme numa única assistida. É daqueles filmes que podem gerar horas e horas de debates, especulações e a teorias. Dizem que o livro do qual foi originado o roteiro era tipo como infilmável. Então está aí, pra quem quiser quebrar a cabeça um pouquinho sem machucar ninguém... "Cada um tem o que merece",  "Só se colhe o que se planta", "Tem hora pra tudo", "Cada qual e seus cada quais"... Esses foram alguns dos provérbios que me vieram a mente enquanto tentava decodificar o que via.

16.5.13

Somos Tão Jovens

Gostei. É sensível, sério e leve. Conta de maneira graciosa como Renato Russo fundou a banda Legião Urbana. Suas músicas pontuam todo o filme e nos oferece palhinhas de Capital Inicial e Plebe Rude. Senti falta de Paralamas do Sucesso e Titãs, contemporâneos da cena rock brasileira. A fotografia está incrível. Cenografia e figurino primorosos. A direção é fluida e agradável. A reação de Renato à morte de Lennon me surpreendeu. Emocionei-me quando ele toca a primeira música que aprendi ao violão e fiquei chateado por minha participação se resumir a um cara que passa na frente do carro quando ele liberado da situação da Rockonha. Mais vida aos figurantes! Rsss

On The Road - Na Estrada

É um filme pé no freio. Bem ambientado e com figurino de qualidade. Muitas locações dos EUA interioranos pré-1950 e de algumas metrópoles também. Baseado inteiramente no livro homônimo de Jack Kerouac até hoje ícone da contracultura e sinônimo de liberdade de atos e pensamentos. Difícil de acompanhar o tédio. É um movimento de reflexão para a sociedade americana com exposição de vários tipos, comportamentos e culturas. É interessante neste aspecto. Contextualizar historicamente é fundamental. A direção do brasileiro é absolutamente acadêmica e não empolga em momento algum. É um filme introspectivo falando sobre aspectos existenciais de pessoas extrovertidas. Termina o filme e você fica com a pergunta: e aí?

12.5.13

Robosapien

A trilha sonora pop é um saco. É filme infantil. Talvez bom para aprender o idioma. A história, as situações e todo o contexto é uma bobagem clássica com todos os clichês imagináveis. Representa o rito de passagem da infância a adolescência com todos os complicadores da fase. Os efeitos especiais são bem realistas assim como os movimentos do robô. O design sugere brinquedo e não será estranho ver o Cody em outras plataformas.

Apocalipze - Web Série

2015. O petróleo do pré-sal motiva protestos públicos. O Brasil é atacado por armas químicas. Grande parte da população está morta. Algumas pessoas aparentam ser imunes aos gases tóxicos. Um pequeno grupo se une para enfrentar juntos a nova realidade. Com uma produção bem equipada para os atuais padrões web, fiquei surpreso ao perceber o uso de gruas e outros equipamentos. A direção não é das melhores mas usa bem os recursos que dispõe. A fotografia ficou bem calibrada com os efeitos visuais. Estes não impressionam e tentam ser.discretos o que combinou bem com a proposta do filme. Este episódio tem menos de uma hora de duração mas parece mais por causa da dinâmica da ação e da cadência dos acontecimentos. Gostei da tentativa e torço que aperfeiçoem propostas como esta. Com ou sem clichês.

5.4.13

Os Intocáveis

Em 1987 Brian De Palma reuniu-se a um elenco estelar para um filme ímpar. No entanto ele deixou muitas lacunas na história. Notadamente, lapsos temporais que me deixaram confuso. É uma história baseada em fatos reais por isso, imagino a dificuldade em dramatizá-la de modo que não a tornasse chata. A Lei Seca impera nos EUA. Pode-se fumar em qualquer lugar ou estabelecimento. Beber não. Um corajoso gângster enfrenta a lei americana e seus operadores vendendo e obrigando comerciantes a comprar de bebidas importadas do Canadá ou produzidas clandestinamente nos EUA. Um agente federal é enviado a Chicago pra acabar com o já constituído império pirata de Al Capone. Então, em nome da lei, o caretíssimo Elliot Ness reúne uma pequena equipe de policiais locais e se autodenominam 'Os Intocáveis'. Conseguem com informações privilegiadas causar grandes prejuízos aos negócios ilícitos da máfia de Chicago e capturam membros-chave da organização criminosa. Reúnem provas e incriminam o grande fodão por sonegação de impostos, um crime federal gravíssimo. Bom, suponho que todo e qualquer americano saiba o que aconteceu então. Eu não sei, nem o filme me contou. Sei apenas que dos quatro intocáveis só dois chegaram ao fim do filme. A produção polimilionária deu conta do figurino, das locações e tudo mais com maestria. A direção é tão careta quanto o protagonista. A fotografia é de uma sobriedade 'claro-escuro' tão intensa que não consigo lembrar das cores deste filme, mas garanto que é colorido. O destaque é o roteiro com seus argumentos, falas e textos. Repleto de filosofia de botequim e máximas sarcásticas. Bom filme.

30.3.13

Repórteres de Guerra

(The Bang Bang Club)
Baseado no livro de dois fotógrafos (um deles brasileiro) que testemunharam os conflitos étnicos que precederam as eleições que tornaram Nelson Mandela (que mazela hoje num hospital sulafricano) o primeiro negro presidente da África do Sul. O 'Clube Bangue Bangue' é um grupo de quatro fotógrafos que receberam o apelido dos amigos jornalistas devido as suas fotografias mostrarem de forma perigosamente próxima os atentados à vida e a violência urbana cotidiana dos subúrbios de Johanesburg. A trilha sonora é ótima e original. A direção é cadenciada e a produção canadence é caprichada e cuidadosa. O filme conta como dois dos membros do grupo fazem por merecer o Pulitzer - maior prêmio jornalístico do mundo -, revela como a vida é frágil e o espírito deve ser forte especialmente em tempos de guerra. Bom filme.

O Hobbit

Título alternativo: 'A Verborrágica Terra Média'. Muito marketing pra tanta contação de história. Achei chato e longo. É legal rever aqueles atores carismáticos em personagens igualmente curiosos, no entanto a encheção de linguiça é demais. O povo caminha, anda, corre, pula e quando deveria acontecer alguma coisa eles deixam para o próximo capítulo. Claro que tem sequências de ação. Tem uma especialmente 'tão-tão' que mal dá pra acompanhar com uma única assistida do filme. Além disso a direção optou por uma dinâmica mais contemplativa dando destaque aos efeitos visuais e a natureza exuberante. Os anões querem retomar a montanha de seus ancestrais que fora surrupiada por um ente albino. Contam com ajuda de Gandalf. O mago cinza convoca para a expedição um hobbit tranquilo que sonha escrever um livro. Blá, blá, blá. Elfos os ajudam. Blá, blá, blá. Chegam na tal montanha. Blá, blá, blá. Hobbit encontra Gólum já com o 'Precioso'. Blá, blá, blá... Continua em 24 meses, obrigado.

PS. Não foi o Orc albino que surrupiou a montanha mas o dragão Smoug. Confesso que o blá blá blá da primeira hora me entediou mas o filme melhora muito na segunda metade.

007 - Operação Skyfall

Skyfall é o nome da fazenda onde James Bond foi criado. Um lugar ermo e desolado da Escócia. Falar dos aspectos técnicos é dispensável, posto que é uma superprodução tratada com esmero em todos os detalhes. Não entendi boa parte das piadas do filme (faz várias referências a filmes passados) e achei-o mais longo que o necessário. Reoleto de sequências fantásticamente impossíveis, absurdamente inéditas e incrivelmente verossímeis. Um ex-00 aterroriza o MI6 na figura de 'M'. Quer se vingar dela por se sentir traído. 007 a sequestra e atrai o ex-agente para o local esperado onde o pega de jeito. Isto não impede a aposentadoria compulsória de 'M' que se vê substituída.

Até que Sorte nos Separe

Padrão Globo de produção. Isso já diz muito da qualidade técnica do filme. O roteiro é engraçado e damos boas risadas durante toda a projeção. Um casal ganha na loteria e passam a esbanjar dinheiro com extrema facilidade. Em poucos anos sua fortuna é dilapidada e o gerente do banco recomenda um consultor financeiro para educar as práticas econômicas da família. Paralelamente, um outro enredo apimenta a trama, que é o excesso de controle e programação financeira do consultor. Por fim assenta-se uma questão filosófica de busca da felicidade através do equilíbrio e da sanidade nas atitudes do cotidiano. Revés para o ator no papel de consultor que é uma bicha louca presa no corpo de um homem. Af!

As Aventuras de Pi

A narrativa é toda em flashback. O dono de um zoológico na Índia resolvevender seus animais nos EUA e se mudar com a família para o Canadá (para onde eu deveria ir também) . Durante a viagem de navio, passando pela Fossa Mariana (é o Triângulo Oriental? Aquele que fica nas mesmas coordenadas do Triângulo das Bermudas do outro lado do planeta?) no Oceano Pacífico, o cargueiro naufragou. Num bote salvaram-se o filho caçula e alguns animais (zebra, macaco, hiena e tigre). Imagino haver algum significado simbólico para cada um destes animais, ainda mais por terem sobrevivido só o humano e o tigre... Após mais de duzentos dias ele e o tigre finalmente encalham em terra firme. Toda a película é uma luta de sobrevivência entre o racional e o irracional. A trama simples envolve sentimentos, atitudes e expectativas de comportamento com certo teor filosófico, profundidade poética e complexidade psicológica. O filme mantêm uma dinâmica instigante e a trilha sonora é perfeita e inédita. A fotografia e efeitos visuais são incríveis, além de exibir uma estética de encher os olhos. Bom filme pra toda família.

Argo

Verdadeiramente um filme envolvente. Uma história real contada de modo magnífico ao mesmo tempo em que reforça a mística das agências de serviço secreto. 1980 foi um ano de muitos avanços tecnocientíficos e significativas mudanças políticas internacionais. No filme devemos valorizar a excelência atingida pelo figurino, pela ambientação, caracterização dos personagens, pela belíssima trilha sonora, pelos takes e sequências de inquestionável qualidade, além da direção sensível e impecável de Ben Affleck. Lembrei agora de um sujeito que trabalhou comigo na Barsa Planeta em Brasília. Chamáva-o inicialmente de 'Ben' por considerá-lo parecido fisicamente com o ator. Ele por ignorância e arrogância demonstrou não ser digno do apelido ainda mais agora que atestei mais um talento inquestionável de B. Affleck. Enfim parabéns ao Ben e foda-se o tal sujeito. Lembrei também que Argo deriva do nome de um navio mitológico que fez A Odisséia (ou seria A Ilíada?) assim como serviu de inspiração ao antropólogo visual Bronislaw Malinowski que em 1922 publicou o épico tratado antropológico "Os Argonautas do Pacífico Ocidental". Livro que revolucionou o uso das imagens como método de pesquisa sociológica, antropológica e cultural.

Ted

O filme é uma grande metáfora. Trata de forma sutil de problemas existenciais graves. O roteirista é brilhante pois transformou numa 'comédia de situações' um assunto geralmente abordado de forma tensa e dramática. Os aspectos técnicos são todos acima da média, desde a trilha sonora, fotografia e direção até os efeitos especiais e os argumentos. O único amigo de um garoto é um urso de pelúcia. Por milagre insondável ele ganha vida e torna-se um sucesso multimídia instantâneo. O garoto cresce o urso é esquecido pela mídia. A amizade permanece. O urso gasta seu tempo em diversões mundanas pois sente (ou sabe, ou sei lá) que não encontrará sua alma gêmea, seu par perfeito, sua outra metade, enfim... O (agora adulto imaturo) garoto vive um relacionamento sério com uma moça que o ama. O cotidiano força-o decidir entre a amizade eterna do amigo e o amor eterno da parceira. É um belo filme, denso, engraçado, profundo, político, afetivo, romântico, impossível, verdadeiro.

29.3.13

Nazistas no Centro da Terra

Este filme parece que foi feito no quintal de alguém. É tão tosco que quase morro de rir.
Nada presta neste filme a não ser a originalidade da idéia. Tudo é tão esdrúxulo que surpreende.
Os efeitos especiais são de dar dó. Repleto de erros de continuidade e transições mal feitas. Botaram a cabeça ressuscitada de Hitler no mais primata dos robôs. Dr. Menguele monta nos subterrâneos da Antartida um laboratório onde faz experimentos na tentativa de ressuscitar o Fuher e alavancar o quarto Reich de mil anos. Que porra é essa! Um grupo de cientista americanos são capturados e vão morrendo um a um, enquanto um disco voador nazista pilotado pelo ridículo ciber-hitler vai atacar as Ilhas Falklands. Assistir este filme com amigos deve ser muito divertido. Qualquer filme de ficção científica da década de 1950 é melhor. Acho que nem os atores estavam acreditando naquilo pois as atuações são amadoras. Que desperdício.